sábado, 25 de outubro de 2025

 

O RÁDIO E A CHEGADA DA TELEVISÃO.

HAMILTON RAPOSO DE MIRANDA FILHO

 

A força do rádio AM é indiscutível e o Brasil é uma potência nesta modalidade de comunicação de massa. São Luís, para não fugir ao figurino, é uma cidade ligada, permanentemente, nas ondas sonoras, tanto como forma de diversão, como, principalmente, como meio de informação social.

 

O rádio, como veículo de difusão coletiva, sempre serviu para entretenimento, informação e cultura. Aqui tivemos as nossas cantoras de rádio, não que levassem a vida a cantar, tinham outras profissões, mas fizeram as nossas manhãs de domingos mais festivas. Entre elas destaco Orlandira Matos e Lurdinha Sousa, fenômenos de sucesso e de audiência. Lurdinha se casou com o Jornalista e Radialista Américo de Sousa, que foi Deputado Federal, Senador da República e Ministro do Trabalho. São Luís simplesmente parava ao meio-dia para ouvir Fernando Sousa. A população almoçava somente depois do comentário político do “Difusora Opina”, que constituía uma espécie de termômetro político da cidade. No período de carnaval as notícias eram passadas aos ouvintes pelos Vigilantes RD.

 

As manhãs de domingo eram de Aldir Dudman e Lima Junior, e as tardes esportivas, de Guioberto Alves. A força do rádio ficou evidenciada por ocasião do programa a “Guerra dos Mundos”. A cidade parou, ficou anestesiada, em pânico, crente de que o fim o mundo havia chegado. Uma realidade de Orson Welles transportada para São Luís. A interpretação levada ao ar pela Rádio Difusora foi tão real que a emissora enfrentou depois sérios problemas com a Justiça. Acho que foi o melhor programa já produzido no Maranhão.

 

O Rádio Patrulha e o Futebol de Meia Tigela, produzido por Rui Dourado na Rádio Timbira, costumava ter 100% de audiência. Os programas tinham personagens que eram incorporados no cotidiano por todos os ouvintes. O Domingo é Nosso, de Lima Junior, quando deixou de ser apresentado em auditório e passou a ser produzido em estúdio, introduziu a participação dos ouvintes por telefones, a cidade parava, para escutar o programa!

 

Alegria na Taba, Debaixo do Cajueiro, Galinho da Madrugada e Correio do Interior foram programas de rádio épicos que deveriam ser objetos de teses acadêmicas, do ponto de vista social e antropológico.

 

A história de São Luís pode ser contada pelos programas de rádio. O rádio nunca perdeu a sua força e influência, nem mesmo com a chegada da televisão, que trouxe novidades e pioneirismos. As telenovelas seguiam a onda da antiga TV Tupi e tínhamos nossos artistas, como Reinaldo Faray, Aldo Leite, Carlos Lima, Lurdes Tajra, Murilo Campelo (ator, apresentador, locutor, humorista e repórter) e muitos outros.

 

O público infantil tinha o seu horário e seus palhaços, Marreta e Pipiu faziam sucesso e zelavam pelo bom comportamento das crianças. Existia um jargão no programa - “saiu do coração do Marreta” - para a criança que cometesse alguma travessura ou desobediência. Eu tinha pavor de sair do coração do Marreta!

 

A comercialização de aparelhos de televisão era tímida, acessível a poucos. Assistir televisão era um luxo, e normalmente os moradores de uma rua se reuniam na casa de algum vizinho com televisor, para assistir aos programas, com especial destaque para as telenovelas. Os chamados “televizinhos” aplaudiam até os chiados e chuviscos dos velhos receptores a válvula. Nessa época, a Prefeitura de São Luís instalou em cada praça um aparelho de televisão, acabando assim com os “televizinhos”. Conta-se que a maioria dos televisores foram depredados por gente inconformada com o final de alguma novela, especialmente Irmãos Coragem.

 

O início da televisão em São Luís permitiu que assistíssemos séries hoje transformados em filmes cult, como o Zorro, Ritintim, Vigilante Rodoviário, Guilherme Tell e Nacional Kid. A televisão se globalizou, entrou em rede e perdeu o encanto tupiniquim.

São histórias da minha cidade!

Uma homenagem a todos os radialistas e jornalistas de São Luís.

 

 

domingo, 12 de outubro de 2025

 

CHICO COIMBRA, O MAGO DA MODA, CARNAVAL E FUTEBOL (do livro personagens da cidade).

Hamilton Raposo de Miranda Filho.

Outubro quase terminando e carnaval chegando, o flagelo da pandemia pelo coronavírus passou, como passa o carnaval, entretanto, se pretendo falar de carnaval, vale lembrar de alguns personagens que fizeram história no carnaval e na vida social de São Luís.

Há alguns anos, li em uma das redes sociais, um comentário do ator e diretor de teatro Cesar Boaes sobre Chico Coimbra. O estilista e carnavalesco que modificou o carnaval, o comportamento, a moda e a vida social de São Luís.

É imaginável se pensar que as calças tinham nomes e formas, e pouco importava a marca, situação bem diferente dos dias atuais. As calças tinham nomes e se deixassem, tinham sobrenome, como a calça boca de sino, pantalona, Saint Tropez e a desajeitada calça tipo toureiro. As calças vestiam e caracterizavam a tendência e poucos se importavam ou tinham noção de crítica do que vestiam. Tudo era muito esquisito. Às vezes, chego a me perguntar de como vestir aquilo?

Os sapatos? Vale ressaltar e recordar o motinha, a bota preconizada pelo programa jovem guarda, o sapato com salto carrapeta e os sapatos bicolores, que ainda resistem em muitos dançarinos das famosas serestas de São Luís. Tudo muito estranho. Tênis Adidas, Nike, Mizuno nada disso existia e se quiséssemos um tênis, teríamos de recorrer ao Conga, Kichute ou Bamba. Quem tinha algum problema de altura apelava para o sapato de salto carrapeta e ganhava alguns centímetros na altura. Aqueles que eram mais estilosos desfilavam com um motinha ou com uma bota estilo Roberto Carlos, a famosa bota calhambeque, marca registrada dos produtos de Roberto Carlos, e quem gostava de festa usava o esquisitíssimo sapato bicolor.

As camisas ballon, volta ao mundo e as terríveis camisas de seda combinavam com o look para a ocasião, porém, nada se igualava em esquisitice ao terno de xadrez usado pelos executivos ou as calças de listas tipo pantalona.

Tenho uma foto do meu primo Franklin Filho vestido com uma dessas calças e uma camisa curtíssima na porta do seu corcel 1976. Vale o registro desse carro que sobreviveu a todas as farras possíveis e impossíveis sem nunca ter feito uma revisão. O carro obedecia até comando de voz e rodava somente com o cheiro do Rum Montila.

A moda em São Luís só ganhou estilo próprio com a chegada do colunismo social como pauta de maior importância nos jornais da cidade. A sociedade emergente necessitava de alguém com talento suficiente para desenhar e assinar a nova moda da cidade. E a pessoa com talento suficiente e capaz de criar um estilo ludovicense de se vestir, foi o meu amigo e vizinho da Praça da Alegria, Chico Coimbra. A importância de Chico Coimbra ainda não pode ser dimensionada, tudo que se refere a estilo, bom gosto, criação, carnaval e futebol passou pala mãos talentosas de Chico. Torcedor fanático da Bolívia Querida, Chico Coimbra assinou a equipagem mais bonita do Sampaio Correia, a pedido do então presidente do Sampaio Correa, Dr. Nonato Cassas. Nesta época a Bolívia Querida disputou o campeonato brasileiro da séria A e a equipagem do time fez mais sucesso do que a participação do clube no campeonato.

Viva Chico Coimbra, um dos maiores maranhense do século XX!