segunda-feira, 24 de setembro de 2018


O BEIJO.

Ainda que o vento
Não tivesse fim
E que se perderia
Na solidão do espaço.
E que o sopro
Fosse o esboço da vida,
O começo,
Meio
E fim.
Nada mais
Seria santificado
Que o beijo,
Escárnio da traição
E volúpia abençoada
De cada dia.
O que se perdeu no juízo,
Além das mãos
Falsamente limpas?
Nada.
E nada ficou como antes.
O beijo
E as mãos
Continuam sujas e traiçoeiras,
A vida,
Foi glorificada,
Morta
E sepultada.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018


COINCIDÊNCIAS E SIMILIARIDADES (PARTE V)
João Castelo deixou o governo com a máquina administrativa e as contas públicas infladas em mais de 40 mil funcionários. O rompimento político dele com José Sarney àquela altura já era visível e comentado nos meios políticos do Estado e bem peculiar, como convém às grandes raposas da política maranhense.
As eleições estaduais por voto direto para escolha de governador e vice-governador, a primeira após o golpe militar, aconteceram no dia 15 de novembro de 1982. O gigantismo da ARENA e das forças conservadoras foram transferidos para o PDS, em face da extinção do bipartidarismo.
O PDS do Maranhão, sob o comando de Sarney, seguia pacificado após um suposto acordo político entre Castelo e Sarney, e os escolhidos do partido para disputarem os cargos de governador e de vice-governador foram Luiz Alves Coelho da Rocha e João Rodolfo Ribeiro Gonçalves, respectivamente. Concorreram Renato Acher (PMDB), Reginaldo Teles (PDT), Osvaldo Furtado (PT) e Cesário Coimbra (PTB).
Luiz Rocha era maranhense da cidade de Loreto, região sul do Estado, e entrou para a política ainda adolescente, ao presidir a Casa dos Estudantes Secundaristas (UMES), chegando posteriormente a ser vice-presidente da UNE na gestão de José Serra. Era advogado formado na UFMA e começou na política partidária na UDN, o partido de Sarney. Com o fim dos partidos políticos, após o golpe militar, seguiu o seu mentor político e se filiou na ARENA, depois transferindo-se para o PDS, sem junto com Sarney.
João Castelo foi eleito senador pelo PDS concorrendo com João Mota (PMDB), Luís Fernando Freire (PDS), Clay Lago (PDT), Oliveira Santiago (PT) e Antônio Vera Cruz Marques (PTB).
Foram eleitos para Câmara dos Deputados pelo PDS: Edson Lobão, Sarney Filho, Bayma Lago, Enoc Vieira, João Alberto, José Burnett, Nagib Haickel, João Rebelo, Jaime Santana, Vitor Trovão, Magno Bacelar, Vieira da Silva, José Ribamar Machado e Eurico Ribeiro. Pelo PMDB ganharam assento na Câmara Cafeteira, Cid Carvalho e Wagner Lago.
O PDS elegeu para a Assembleia Legislativa Francisco Coelho, Bento Neves, Biné Saback, Eduardo Mathias, Ricardo Murad, Raimundo Leal, Carlos Sosthenes, Mauro Fecury, Marcone Caldas, Teoplistes Teixeira, Joaquim Haickel, Alberico Filho, Pontes de Aguiar, Davi Alves Silva, Carlos Melo, Manoel Oliveira, Júlio Monteles, Sebastião Murad, José de Ribamar Lauande, Aristeu Barros, Aloisio Lobo, Moisés Reis, Celso Coutinho, Cesar Bandeira, Jurandir Lago, José Paiva, Afonso Bastos, José Gerardo, José Elouf, Yedo Lobão, Benedito Florêncio, Dorian Menezes e Orlando Aquino. Pelo PMDB foram eleitos Haroldo Saboia, Carlos Guterres, Freitas Filho, Nonato Lago, Mauro Bezerra, Luiz Pedro, Maria da Conceição e Gervásio Santos.
Luiz Rocha durante o seu governo se indispôs com o funcionalismo público, com médicos e trabalhadores rurais. Em um desses embates, durante uma greve de médicos, o governador ordenou a prisão do líder da greve, o médico João Bentivi. Os conflitos no campo eram constantes e, simpatizante da UDR (União Democrática Ruralista), Luiz Rocha era acusado por seus adversários de não priorizar as reivindicações dos trabalhadores rurais.
Em um conflito no campo, o trabalhador rural Antônio Fontenele Araújo, fora assassinado por jagunços, supostamente a mando de fazendeiros da UDR, o que provocou a indignação da Igreja Católica que exigia rigor e rapidez na investigação do crime. Em face da lentidão na apuração do fato, Luiz Rocha e o seu Secretário de Segurança, Coronel Silva Junior, foram excomungados pela Igreja por ato do bispo D. Pascário Retler.
No entanto, o maior conflito que Luiz Rocha enfrentou foi com os funcionários públicos. De posse de uma caneta vermelha, ele tentava explicar na televisão o déficit público e a necessidade de um processo seletivo entre os servidores estaduais. O governador não conseguiu realizar o processo seletivo e ninguém foi demitido.
Em 1982 a ditadura militar que governava a Argentina leva aquele país a uma guerra com a Inglaterra na Ilha Malvinas, causando para a Argentina a maior humilhação militar, política e social.
Naquela ano, no Brasil, a oposição diria não aos militares, elegendo 10 governadores, incluindo Franco Montoro em São Paulo, Tancredo Neves em Minas Gerais e Leonel Brizola no Rio de Janeiro, após desmascarar um esquema de fraude com a participação das Organização Globo, que ficaria conhecido como o famoso caso Proconsult.
No esporte o Brasil perde a copa do mundo na chamada “Tragédia do Serriá”, com uma geração de craques comandados por Zico, Sócrates, Falcão, Cerezo, Junior e Éder. A seleção tinha como treinador o campensíssimo Telê Santana. O Brasil descobre o vôlei e surge a geração de prata, Bernardo e William à frente. O Flamengo ganha o título brasileiro e o Moto Clube é o grande campeão maranhense de futebol. A Revista Placar denúncia um gigantesco esquema de fraude.
O Brasil começa a se preocupar com a AIDS e o crack chega aos EUA.
O Brasil canta e dança com a Legião Urbana, Capital Inicial, Blitz, Barão Vermelho, Cazuza e Paralamas e chora a morte de Elis Regina.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Hoje estarei na comunidade católica Shalom conversando sobre drogas e contemporaneidade e o papel da família

sábado, 8 de setembro de 2018


José Sarney consolida-se como a maior liderança política Maranhão. O falecimento do Senador Vitorino Freire fortaleceu sua presença e seu prestígio junto aos militares, o que culminaria com a sua ascensão ao comando da Aliança Renovadora Nacional (Arena). Bem articulado, Sarney não teve dificuldade em indicar o futuro candidato a governador do Maranhão por eleição indireta em 1978.
Osvaldo da Costa Nunes Freire sofreu uma oposição implacável do Jornal O Estado do Maranhão, de propriedade do senador José Sarney no período em que foi governador. Com a saúde debilitada, Nunes Freire não teve força política para comandar e indicar o candidato a governador de 1978, restando, porém, por sua respeitabilidade, vetar o nome do senador José Sarney.
A eleição de 1978 ocorreu em dois pleitos. O primeiro em 01 de setembro de 1978 e elegeu por via indireta João Castelo Ribeiro Gonçalves e Artur Carvalho para os cargos de governador e vice-governador respectivamente, além de Alexandre Costa para o Senado Federal, chamado na época de senador biônico, aquele que não recebia votos, bastava ser indicado pela ARENA e ser do agrado dos generais de plantão no Planalto. Neste caso a indicação foi de Sarney.
O segundo pleito aconteceu no dia 15 de novembro de 1978 e elegeu José Sarney por via direta para o Senado Federal, além de deputados federais e estaduais. Para a Câmara Federal foram eleitos pela Arena Luís Rocha, Vitor Trovão, Edson Lobão, Magno Bacelar, João Alberto de Sousa, Edson Vidigal, Nagib Haickel, Temístocles Teixeira, Vieira da Silva e José Ribamar Machado. O MDB elegeu Epitácio Cafeteira e Domingos Freitas Diniz. Para a Assembleia Legislativa foram eleitos pela Arena Enoc Vieira, Sarney filho, Alexandre Costa Junior, José Bento Neves, Alberico Ferreira, Fernando Falcão, Francisco Coelho, Dorian Menezes, Wilson Neiva, Pontes de Aguiar, Absalão Coelho, Ivar Saldanha, Gervásio Santos, João Afonso Lopes BASTOS, Filadelfo Mendes Filho, Artur Teixeira de Carvalho Filho, Celso Coutinho, José Elouf, Raimundo Lima, Josélio Carvalho Branco, Remi Ribeiro, Marconi Caldas, Nan Sousa, José Gerardo de Abreu, Raimundo Leal, Orlando Aquino, Manoel Sebastião Pinheiro, Marco Vieira da Silva e Mario Carneiro. O MDB elegeu Haroldo Saboia, Bete Lago, Carlos Guterres, Maria da Conceição Sena Mesquita e Valdivino Castelo Branco.
João Castelo começa o governo sob as bênçãos de Sarney e dos militares e dinheiro farto para obras gigantescas, principalmente na capital. O Castelão, o conjunto habitacional Cidade Operária, o programa de distribuição de alimentos, Hospital do IPEM, conclusão da Ponte Bandeira Tribuzi, ITALUIS e muitas outras obras. Entretanto, foi no governo de João Castelo a primeira organização efetiva da oposição, quando o governo foi surpreendido pela maior manifestação política do Estado e uma das maiores do País: a greve da meia-passagem.
O movimento paralisou a cidade e preocupou os militares. A desproporcional repressão policial ordenada pelo governador e a falta de diálogo do então Prefeito Mauro Fecury, radicalizaram o movimento grevista liderado por Juarez Medeiros, Heloisa Pacheco, Carmem Damous, Coelho Neto, Agenor Gomes, Renato Dionísio, Jomar Fernandes, Joãozinho Ribeiro, Juarez Medeiros e Cunha Santos, recebendo a adesão de  milhares de estudantes, que foram às ruas dizer “não” ao governador e ao prefeito e aos generais de plantão na Presidência. A resistência estudantil venceu a intolerância, a opressão e o autoritarismo.
Foi no governo de João Castelo que o poeta, contista e ambientalista Nascimento de Moraes Filho se levantou com um grupo de intelectuais contra a instalação da ALCOA em São Luís. Previam a catástrofe ao meio-ambiente provocada pela indústria e o pouco retorno social do projeto à cidade. Estavam certos!
A influência de Sarney no Governo do Estado é notória e os dois seguem aliados até o final do governo, quando Sarney indica Luiz Rocha como candidato ao governo do Estado. Restou a João Castelo uma vaga ao Senado e como não pode indicar o governador, indicou o primo João Rodolfo como vice, pouco para quem sonhava ser a maior liderança política do Estado. A ruptura política ficou evidente com a eleição de dona Gardênia, esposa de Castelo, para a Prefeitura de São Luís, em acirrada disputa com o candidato de Sarney, na época Jaime Neiva de Santana.
Em 1978 um misterioso acidente de avião quase leva a óbito o arcebispo Dom Mota, o Juiz Ribamar Heluy e o padre Vitor Acelim, que investigavam grilagem de terras e assassinatos de trabalhadores rurais. O Sampaio Correa é campeão maranhense de futebol com a espetacular e incomparável linha de atacantes formada por Prado, Cabecinha e Bimbinha. Em concurso organizado pela colunista social Maria Inês Saboia, Nazaré Bezerra Carvalho, representando o Grêmio Lítero Português, é escolhida em grande festa, como Miss Maranhão. A Beija-Flor de Nilópolis é campeã do carnaval carioca com o samba a “Criação do mundo segundo a tradição de Nagô”. Aqui em São luís a Favela do Samba é a grande campeão do carnaval.
Sem se consolidar com grande liderança política no Estado, João Castelo não teve força para indicar o seu sucessor. O Maranhão teve que aceitar Luiz Rocha, o fiel amigo de Sarney.




COINCIDÊNCIAS E SIMILIARIDADES PARTE I
A eleição de José Sarney começou no dia 07 de outubro de 1962. Coincidência e similaridades. Neste dia o Maranhão escolheu democraticamente para o Senado da República Vitorino Freire e Sebastião Archer e para Câmara dos Deputados foram eleitos José Burnett, Renato Archer, José Sarney, Lister Caldas, Cid Carvalho, Luís Coelho, Joel Carvalho, Eurico Ribeiro, Alberto Aboud, Ivar Saldanha, Luís Fernando Freire, Matos Carvalho, Neiva Moreira, Miguel Bahury, Henrique La Roque e Pedro Braga. ‘
Foram também eleitos para a Assembleia Legislativa Raimundo Travassos, João Henrique Belo Pereira, José Gabriel dos Santos Neto, Francisco Sá, Raimundo Arruda Gomes de Sá, Telêmaco Ribeiro, Adail Carneiro, Henrique Schalcher, Magno Bacelar, Aldemir Silva, Euclides Neiva, Carlos Orleans Brandão, Newton Serra, Raimundo Bogéa, Turíbio Rocha Santos, Bayma Serra, Temístocles Teixeira, Mario Flecha, Frederico Leda, Lauro Barbosa Ribeiro, Osvaldo Campos, Major Pereira dos Santos, José Domici, Evandro Sarney, Sálvio Dino, Manoel Gomes, José Mario de Araújo Carvalho, Ivaldo Perdigão, Antenor Abreu, Antônio Bento, Benedito Buzar, Emílio Murad, Francisco Figueiredo, Antônio Jorge Dino, Wilson Marques, Aristeu Gomes, Bernardo Almeida, João Jorge Filho, Acrísio Viégas, Sandes Macedo e Antônio Azevedo Gomes.
A grande liderança política do estado, o Senador Vitorino Freire, representava para a emergente oposição maranhense, o atraso e uma velha oligarquia que arrastava o Maranhão como o estado mais pobre do país. Neiva Moreira era a grande liderança política no campo oposicionista. José Sarney era apenas um jovem e talentoso político emergente e o segundo deputado mais votado.
Miguel Bahury eleito deputado federal e líder do PSP, principal partido de oposição ao governo estadual, morreu em acidente aéreo em São Paulo e assumiu em seu lugar Clodomir Milet, médico e empresário, um dos lideres da oposição maranhense. Newton Belo do PSD foi eleito governador do Maranhão com apoio político de Vitorino Freire e de toda “velha e corrupta oligarquia vitorinista”, como dizia a oposição.
Em 31 de março de 1964 o Brasil amanhece com um golpe militar. Apoiados pela classe média e pela elite financeira do país que temia por um “comunismo tupiniquim”. Os militares aproveitaram a instabilidade política e a implantação no Brasil de um amplo programa social chamado de “reformas de bases”, que incluía a reforma agrária e erradicação do analfabetismo, para golpear a democracia e instalarem uma ditadura militar. No Maranhão diversas lideranças foram presas, torturadas e tiveram seus direitos políticos usurpados. Foram presos imediatamente William Moreira Lima, Maria José Aragão, Bandeira Tribuzi, Newton Sousa, Benedito Paiva, José Bento Neves, Eider Paes, Luís Vasconcelos, Ribamar Bogéa, Vera Cruz Marques e Renato Vaz de Figueira. Entre os políticos cassados e perseguidos de maior expressão, estava o Deputado Federal Neiva Moreira do PSP, principal liderança da oposição e provável candidato ao governo do estado. Alexandre Costa foi efetivado em seu lugar. Os deputados estaduais Benedito Buzar e Sálvio Dino tiveram seus direitos políticos cassados pela Assembleia Legislativa, obedecendo de forma humilhante, ordens expressa do Comando Militar Revolucionário.
O destino abriu o caminho e com sabedoria José Sarney da UDN foi eleito Governador do Maranhão no dia 03 de outubro de 1965. Os militares em 1964 tiveram apoio no Maranhão de Vitorino Freire, porém na eleição de 1965, a última até a implantação da democracia no país, os militares preferiram apoiar o jovem e promissor político José Sarney. Quis o destino que Sarney conduzisse na Presidência da República a primeira eleição após o processo de redemocratização em 1989.
Concorreram na eleição de 03 de outubro de 1965 José Sarney (UDN), Renato Archer (PSD) e Antônio Euzébio da Costa Rodrigues (PDC). José Sarney foi eleito em turno único com maioria absoluta de votos (53,63%). Sarney construiu sua candidatura com apoio de vários partidos políticos em uma ampla coligação chamada de “Compromisso pelo Maranhão Novo”. Sua posse na Praça Pedro II foi apoteótica. Nesta eleição um fato chamava a atenção, a qualidade moral e intelectual dos candidatos a vice-governador: Antônio Dino (PSP) vice de Sarney, Antenor Bogéa (PTN) vice de Costa Rodrigues e Pedro Braga (PTB) vice de Renato Archer.
Cesário Coimbra (PTB) médico, militar e político getulista assumiu na Câmara dos Deputados o lugar de José Sarney eleito Governador do Maranhão.
O estrago do golpe militar na frágil democracia brasileira teve consequências dolorosas ao povo brasileiro e governando através de atos institucionais, os militares instituíram o Ato Institucional Número 2, que acabava com os partidos políticos e estabelecia o bipartidarismo. O MDB seria o partido político de oposição ao regime militar e a Arena partido político de apoio aos militares.
No Maranhão José Sarney assume a Arena e Renato Archer o MDB. E assim ficou a bancada federal maranhense após o Ato Institucional Número 2. No Senado Federal ficou Eugênio de Barros e Vitorino Freire (Arena) e Sebastião Archer (MDB). Na Câmara dos Deputados Alberto Aboud, Alexandre Costa, Clodomir Milet, Eurico Ribeiro, Henrique La Roque, Ivar Saldanha, Joel Barbosa, José Burnett, Matos Carvalho, Lister Caldas, Luís Coelho e Luís Fernando Freire todos pela Arena; Cesário Coimbra, Cid Carvalho, Pedro Braga e Renato Archer pelo MDB.
No dia 15 de novembro de 1966 ocorreu, conforme previa o Ato Institucional Número 3, eleições para renovação do Senado Federal, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. Foram eleitos para o Senado Federal Eugênio de Barros e Clodomir Milet pela Arena e para a Câmara dos Deputados foram eleitos Américo de Sousa, Henrique La Roque, Alexandre Costa, José Marão Filho, Nunes Freire, Eurico Ribeiro, Pires Sabóia, Ivar Saldanha, Raimundo Bogéa, Vieira da Silva, Emílio Murad, Temístocles Teixeira e Afonso Matos todos pela Arena, Renato Archer, Freitas Diniz e Cid Carvalho pelo MDB.
Para a Assembleia Legislativa do Maranhão foram eleitos Acrísio Viégas, Antônio Dino, Afonso Paiva, Artur Carvalho, Belarmino Gomes, Adail Carneiro, Carlos Orleans Brandão, Carlos Melo, Evandro Sarney, Domingos Rego, Euvaldo Neiva, Francisco Figueiredo, Gonçalo Moreira Lima, Isaac Dias, Sandes Macedo, José Dominici, Kleber Leite, José Collins, Luís Rocha, João Elzimar Machado, José Brandão, Bayma Serra, Manoel Gomes, Jurandyr Leite, Marcone Caldas, Marcelo Thadeu, Merval Melo, Moisés Reis, Freitas Diniz, Nagib Haicker, Orlando Medeiros, Orlando Aquino, José Alselmo, Simeão Rios, Renê Maciel, Sebastião Mendonça, Turíbio Rocha Santos, Telêmaco Ribeiro, Wilson Neiva, Yolando Holanda Campos Silval.
Em 1967 o Moto Clube de São Luís se torna Campeão Maranhense de Futebol. Rosimar Silva Guimarães é escolhida Miss Maranhão em belíssima festa realizada no Clube Lítero Português. Francisco Maranhão (Chico Maranhão) encanta e canta Gabriela no 3º Festival de MPB. O Procurador da República Jader Figueiredo denúncia chacina de índios no Maranhão por parte de fazendeiros e madeireiros. Aí a noite escureceu..."

domingo, 6 de março de 2011

CRIME E DOENÇA MENTAL: UM NEXO DE CAUSALIDADE


INTRODUÇÃO:

Tem-se observado uma banalização da violência principalmente nas grandes cidades. Os indicadores de criminalidade alcançaram níveis alarmantes, demonstrando o clima de insegurança em que vivem os moradores dessas cidades. A onda de assassinatos em nosso país e em particular nos grandes centros urbanos compara-se somente com países em guerra. Os crimes contra a vida ganham destaque nas primeiras páginas e nos horários nobre dos principais órgãos da imprensa e quanto mais cruel for o crime, mais destaque e importância terão na imprensa sensacionalista.

Os crimes cometidos com requintes de crueldade, sempre ganham pelo seu caráter absurdo, violento e às vezes sem nenhuma explicação que justifique a ação ou ato, uma dúvida sobre a sanidade mental do agente agressor, sugerindo ou supondo-se uma possível doença mental como causa ou fator determinante para os atos mais terríveis e temíveis da violência humana. Diversas questões a respeito vêm sendo discutida ao longo dos anos, tais como: as hipóteses biológica, psicológica, sociológica, antropológica, política e cultural. Parece que nenhuma satisfaz ou explique plenamente a origem do ato condenável.

O crime, apesar da sua multicausalidade, necessita e depende do fenômeno violência, não existe crime sem violência. A Organização Mundial da Saúde define a violência como: o uso intencional de força ou poder físico, sendo somente uma intimidação ou ato efetivo contra si próprio, outra pessoa, ou contra um grupo ou comunidade, que resulte em / ou tenha uma alta probabilidade de danos, mortes, prejuízos psicológicos, que impeça um desenvolvimento ou que este seja insatisfatório (www.wilkipedia.org).

A violência é uma forma de afirmação, de controle e de poder. Grande parte dos atos de violência, mais precisamente o homicídio, as pessoas que as cometem, agem por impulsos e são consideradas normais (STRÜBER, MONIKA E ROTH, 2006, p.40). Entretanto por razões subjetivas, num dado momento, que lhes parecem justificáveis, muitos tomam consciência da gravidade e da irreversibilidade do ato somente depois de cometê-lo (Abdala, 2006, p.40). Fica explícita a imprevisibilidade da violência, assim como características comuns do agente agressor: baixa tolerância a frustração, capacidade reduzida de compreensão e instantaneidade no ato.

As questões que dizem respeito à violência e criminalidade, principalmente o comportamento impulsivo, podem ser explicadas biologicamente através de alterações no sistema límbico e no córtex pré-frontal ou lesões cerebrais ainda em vida embrionária modificando circuitos das aminas biogênicas (STRÜBER, MONIKA E ROTHR, 2006, p.42). Outra questão é a influência social: a pobreza, desigualdade social e má distribuição de renda seriam fatores determinantes para o crime. Condições genéticas, genes envolvidos com MAO-A, causando uma redução de serotonina e alterações no córtex pré-frontal em indivíduos, apontam como causa do comportamento anti-social (ADRIAN RAINE, 2008).

O que levaria um homem considerado normal, sem antecedentes criminais a cometer um ato ilícito de considerada gravidade?

Francisco Ramos de Farias, psicanalista e professor da UFRJ, afirma que basta ser humano para ser potencialmente assassino (2007, p.24-29) Através dessa observação, pesquisadores chegaram a conclusão da multifatoriedade causal para o impulso à violência, não bastando somente as condições biológicas, mas também as condições sociais em que está inserido o agente agressor. Relacionou o autor, que os crimes de homicídio estão mais relacionados com a instabilidade sócio-familiar, enquanto a desvantagem econômica a todas as categorias de crimes. Questões sociais não podem isoladamente serem causa de crime, a indicação simplesmente da miséria como causa da violência, minimiza todas as outras questões envolvidas com a violência e criminalidade, parecendo haver uma exclusão das classes sociais mais beneficiadas para o crime. STÜBER, MONIKA e ROTH (2006, p.42), apontam níveis do hormônio masculino testosterona elevados, que ultrapassando a barreira hemato-encefálica se conecta a receptores no hipotálamo e amígdala desencadeando mecanismos competitivos relacionados com a agressividade, podendo deixar o sexo masculino mais susceptíveis a atos de violência.

A violência é multifacetada, não se restringe somente aos atos de grandes proporções, causando nas vítimas sérios danos físicos, psíquicos e sociais. Algumas vezes a violência se utiliza de subterfúgios, situações não explícitas, mas que causam danos significativos para o funcionamento psíquico e social da vítima inclui-se nesta parte da violência: o racismo, preconceito, ofensa, calúnia e difamação.

Outra visão sobre violência e criminalidade, é a participação de pessoas com transtornos mentais, insere-se neste contexto uma relação complexa de doentes e doenças a exposição à violência. Alguns indivíduos com esquizofrenia são mais prováveis de serem violentos do que a população geral, entretanto em relação a toda a violência social, a participação destes é muito pequena estatisticamente no mapa da criminalidade. E o principal fator motivador para os atos de violência nestes pacientes é o delírio, principalmente o delírio com conteúdo de controle ou paranóide. (TEIXEIRA, DALGALARRONDO, 2008, p.171-173).

A esquizofrenia apontada acima como doença com tendência a atos de violência é considerada um transtorno psicótico com graves perturbações no pensamento, na emoção e no comportamento. É uma doença multicausal, porém as hipóteses genéticas confirmam a idéia de que a esquizofrenia pode ser transmitida geneticamente, entretanto estas evidências não representam um fator determinante ou exclusivo na formação da doença esquizofrenia. Os fatores ambientais (fenotípicos) podem ser responsáveis por várias mudanças de comportamento, assim como o estresse psicológico, que através de mudanças no eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal, podem interagir com uma possível vulnerabilidade biológica e desencadear a doença. A hipótese genética se relaciona com um excesso de receptores supersensíveis a dopamina e não com o excesso de dopamina e esta evidência se deve a estudos em esquizofrênicos, onde os valores do principal metabólito da dopamina (ácido homovanílico) estão compatíveis com pessoas normais. Mostra-se aqui a complexidade da esquizofrenia. (DAVISON E NEALE, 2003 p.271-273).

MORANA, STONES E ABDALA-FILHO (2006, p. 74-79) descrevem o transtorno de personalidade como uma perturbação grave da constituição caracteriológica e das tendências comportamentais do indivíduo, havendo uma anomalia do desenvolvimento psíquico. Estes apresentam uma desarmonia da afetividade, do controle dos impulsos, das atitudes e das condutas, manifestando-se desarmonicamente no relacionamento interpessoal. Ficando sujeitos, principalmente aqueles com características anti-sociais, a toda espécie de crime.

FLÁVIO JOSEF E JORGE ADELINO (2003, p. 275-282), informam que a psicopatia, o transtorno de personalidade anti-social, como uma das principais causas no contexto da criminalidade violenta. Os autores identificaram também que o consumo de álcool e outras drogas (ilícitas) estão relacionados em situações de violência e homicídio. O álcool em torno de 50 a 64% dos casos e as drogas ilícitas (maconha e cocaína) em 37 a 59% dos crimes violentos em 24 cidades americanas.

ROBERTO MOSCATELLO (2001. p. 34-35), em trabalho sobre recidiva criminal em internos do Manicômio Franco da Rocha, explica a falta de estudo conclusivo sobre o assunto, mais demonstra que 41% dos internos cometeram somente 1 crime e 59% cometeram mais de 1 crime. Entre os internos que cometeram 1 crime a esquizofrenia com 43%, retardo mental 19% e transtornos de personalidades 17%, em menor número apareceram psicoses delirantes, epilepsia, dependência de drogas e demência. Entre estes, as tentativas e os homicídios consumados foram mais freqüentes. Em menos número e proporção mais homogênea, notaram a agressão, atentado ao pudor, estupro, furto e seqüestro. Na questão da recidiva criminal, o diagnóstico mais freqüente é a esquizofrenia com 55%, transtorno de personalidade 38%, retardo mental 16% e em menor número e de forma homogênea a dependência de drogas, alcoolismo, epilepsia e psicose confusional. Neste item os delitos mais cometidos foram o furto, roubo, homicídio e agressão; menos freqüente o porte de drogas, tentativa de homicídio, estupro e atentado ao pudor.

O crime é uma atividade antijurídica, portanto ilícita e culpável. Entretanto o doente mental, em particular o esquizofrênico, após ato ilícito e de fato for comprovada a existência da doença mental, pode ser considerado inimputável, pressupondo-se a não intenção de causar dano, inexistindo o sujeito da culpa. Devem-se considerar os limites de responsabilidade e de capacidade de entendimento e de autodeterminação no momento da ilicitude, somente assim as exigências legais para inimputabilidade, imputabilidade e semi-imputabilidade deverão ser cumpridas.


O exame de aferição da sanidade mental utiliza o conceito de periculosidade para aqueles casos em que o infrator, por conta da sua anormalidade psíquica, pode significar risco a sua convivência ou quando a situação ilícita apresente aspectos que fogem da compreensão habitual ou mobilizem fortes descargas emocionais (Aspectos controversos da periculosidade. Sidnei Celso Corrocine. Revista Psicologia Jurídica nºI Pág.61)

Para a existência do crime, necessariamente precisa-se da culpa, do sentido de culpabilidade, aspecto subjetivo do delito, elemento que concerne a intenção do fato e tem como características:
1- Aspecto intelectual: ter consciência do ato antijurídico:
2- Aspecto afetivo: quando o indivíduo tem vontade de dirigir suas ações com uma finalidade

De acordo com estas características, é necessário para a existência do crime, o pleno estado de sanidade mental e vontade em cometer o ato antijurídico, portanto intencionalidade (dolo) ou execução de um ato que poderia e deveria ser previsto e que, por falta de previsão do agente, produz um dano. Aquele que praticou a ação que resulta em dano deve suportar as conseqüências do seu procedimento, isto é, ter responsabilidade (COHEN, FERRAZ E SEGRE. 2006, p.60-70).

O doente mental quando pratica uma ilicitude, principalmente um ato de violência, falta-lhe consciência da ilicitude ou grave prejuízo na vontade. MIGUEL CHALUB (2007, p. 64-71) afirma que os doentes mentais, principalmente os esquizofrênicos, os portadores de transtorno bipolar, retardo mental grave e os dementes, estes quando cometem crime, podem, em decorrências de graves prejuízos em diversas funções mentais, não entender o que está cometendo ou não ter controle sobre as suas atitudes.

Pretendemos demonstrar neste trabalho, a relação da doença mental com a criminalidade, em particular, identificar um nexo de causalidade entre a infração e a hipótese diagnóstica identificada.


METODOLOGIA:
O trabalho foi conduzido após ampla revisão da literatura especializada. Trata-se de um estudo retrospectivo compreendendo o período de janeiro de 2007 a maio de 2009, do qual participaram 67 pessoas acusadas de ilícitos e com suspeita de perturbação na sua saúde mental. Foram encaminhados pelo Poder Judiciário do Maranhão para o Hospital Nina Rodrigues e diretamente para este facultativo, a fim de ser aferido o grau de responsabilidade, capacidade de discernimento e de determinação durante a prática delituosa e o estado mental atual.

O estudo procura revelar a prevalência de determinadas condutas ilícitas e o perfil diagnóstico dos acusados definidos pelos critérios diagnósticos da CID-10 e a possibilidade de um nexo de causalidade entre a ação e o diagnóstico sugerido.

Os participantes (periciados) foram submetidos a avaliação clínica (anamnese completa e história criminal) com conclusão diagnóstica e médico-legal. Alguns também foram submetidos a escala de avaliação para diagnóstico de psicopatia (PCR-L).


DISCUSSÃO:
De acordo com os achados na literatura pesquisada não há evidência de maior prevalência da esquizofrenia em crimes de violência contra pessoas quando comparados com a população de pessoas normais ou portadora de outros diagnósticos psiquiátricos. O trabalho apresentado: “Crime e doença mental: um nexo de causalidade” apresentou através da entrevista, exame mental, formulação de diagnóstico através da CID-10 e em alguns, aplicação da escala PCR-L, em 67 pessoas do sexo masculino, todas acusadas de ilícitos de violência contra pessoas, o seguinte resultado:


1-Homicídio:
1.1-Total de periciados: 14 pessoas
1.2- sem diagnóstico psiquiátrico: 4 pessoas = 28,5%.
1.3- envolvimento com consumo de múltiplas drogas: 3 pessoas = 21.4%.
1.4- diagnóstico de esquizofrenia tipo paranóide: 2 pessoas = 14,2%
1.5- transtorno de personalidade tipo anti-social: 2 pessoas = 14,2%
1.6- transtorno de personalidade tipo bordeline: 2 pessoas = 14,2%
1.7- outros diagnósticos psiquiátricos: 3 pessoas = 21,4%

Interpretação: O resultado apresentado não difere da maioria dos achados da literatura, observa-se uma prevalência maior para os crimes de homicídios em pessoas consideradas normais (28,5%) em comparação com a esquizofrenia (14,2%). É considerado o tipo paranóide como de maior relevância neste tipo de ilícito. Outras enfermidades psiquiátricas como consumo múltiplas drogas tiveram prevalência maior que a esquizofrenia (21,4%), assim como os transtornos de personalidade (anti-social e bordeline) valores iguais a da esquizofrenia (14,2% cada transtorno). Apesar da existência de risco, a esquizofrenia não tem indicadores de risco maiores que as pessoas sem diagnóstico psiquiátrico para a pratica de homicídio. O resultado encontrado é relevante e talvez possa em exames periciais ser considerado um nexo de causalidade. Outro fator considerado é a relação exagerada entre homicídio e consumo de múltiplas drogas, neste diagnóstico não foi considerado o viés do comércio ilegal, consideramos apenas a ação final do acusado.

2-Agressão:
2.1- Total de periciados: 17 pessoas
2.2- envolvimento com consumo de múltiplas drogas: 6 pessoas = 35,2%
2.3- transtorno de personalidade tipo anti-social: 4 pessoas = 23,5%
2.4- esquizofrenia tipo paranóide: 2 pessoas = 11%
2.5- transtorno de personalidade paranóide: 1 = 5,8%
2.6- transtorno de personalidade bordeline: 1= 5,8%
2.7- outros diagnósticos psiquiátricos: 3 = 17,6%

Interpretação: Observa-se uma prevalência significativa entre os examinados para aqueles envolvidos no consumo de múltiplas drogas (35,2%), isto demonstra a questão da violência urbana, alto consumo de drogas e comércio ilegal de drogas em nosso estado, resultado de falta de políticas públicas para tratamento dos dependentes químicos, falta de políticas na área preventiva e falta de medidas eficazes para controle do comércio ilegal. Outro dado é a presença do transtorno de personalidade anti-social (23,5%), demonstrando o grande espectro de atuação deste transtorno. A presença da esquizofrenia paranóide (11%) correspondendo a 2 pessoas com acusação de agressão, equipara-se aos valores encontrados no item homicídio, portanto com taxas inferiores a outros diagnósticos psiquiátricos.

3-Furto:
3.1- Total de periciados: 7
3.2- transtorno de personalidade tipo anti-social: 2 = 28,5%
3.3- retardo mental leve: 3 = 42%
3.4- esquizofrenia residual: 1 = 14,2%
3.5- transtorno afetivo bipolar em remissão: 1 = 14,2%

Interpretação: Neste tipo de ação ilícita, o transtorno de personalidade tipo anti-social, que possui um espectro de atuação amplo em termos de atuação criminal, é um achado significativo neste tipo de ilícito (28,5%), entretanto a predominância de retardo mental leve é extremamente relevante (42%), fato explicado pela dificuldade de entendimento e pelo comportamento impulsivo do agente. As manifestações comportamentais no retardo mental podem adquirir um viés anti-social explicado pela influenciabilidade e sugestibilidade adquirida em convívio social. Os dados percentuais (14,2%) encontrados neste ilícito para a esquizofrenia se compara com o transtorno bipolar em remissão, com índices inferiores das outras enfermidades encontradas entre os pesquisados, com pouca possibilidade de nexo de causalidade para a esquizofrenia. Considera-se de maior relevância o retardo mental leve e o transtorno de personalidade anti-social.

4-Roubo:
4.1- Total de periciados: 13
4.2- transtorno de personalidade anti-social: 5 = 38,4%
4.3- retardo mental leve: 3 = 23%
4.4- envolvimento com consumo de múltiplas drogas: 4 = 30,7%
4.5- esquizofrenia paranóide: 1 = 7,6%

Interpretação: Persiste o transtorno de personalidade anti-social através do amplo espectro de atuação na área criminal como o de maior prevalência nesta categoria de ilícitos (38,4%). O consumo de múltiplas drogas com 30,7% e o retardo mental leve com 23% são achados relevantes. A esquizofrenia com 7,6% dos pesquisados, constitui dentro das enfermidades encontradas neste ilícito a de menor prevalência e com pouca possibilidade de nexo de causalidade.

5- Estupro:
5.1- Total de periciados:
5.2- envolvimento com consumo de múltiplas drogas: 3 = 37,5%
5.3- transtorno de personalidade anti-social: 2 = 25%
5.4- esquizofrenia tipo paranóide: 1 = 12,5%
5.5- retardo mental leve: 1 = 12,5%

Interpretação: Neste tipo de crime o consumo de múltiplas drogas com 37,5% e o transtorno de personalidade anti-social são considerados os de maiores prevalência e de relevância. A esquizofrenia e o retardo mental com 12,5% de prevalência tem significado menor nesta pratica de crime.

6- Atentado violento ao pudor:
6.1- Total de periciados: 4
6.2- sem diagnóstico psiquiátrico: 2 = 50%
6.3- retardo mental leve: 2 = 50%

Interpretação: A prevalência de pessoas sem diagnóstico psiquiátrico neste tipo de ilícito é comparável na pesquisa aos portadores de pessoas com retardo mental leve. A probabilidade de cometimento do ilícito por retardados pode ser explicada pela insuficiência na capacidade de julgamento e pela inserção social dos acometidos por este tipo de transtorno.


7- Tráfico de entorpecentes:
7.1- Total de periciados: 4
7.2- envolvimento com o consumo de múltiplas drogas: 3 = 75%
7.3- sem diagnóstico psiquiátrico: 1 = 25%

Interpretação: Neste tipo de crime os envolvidos com o consumo de drogas com 75% dos casos, estão em situação de maior vulnerabilidade e de disposição para o comércio ilegal de drogas, explicando assim esta prevalência, muito mais de necessidade do que predisposição criminológica.


CONCLUSÃO: A maioria dos estudos epidemiológicos que tratam da relação da doença mental com o crime, principalmente o crime com violência física, tanto nos EUA como na Europa, relatado na introdução, consideram baixos indicadores de violência entre os portadores de transtornos mentais, apontando, entretanto a esquizofrenia, o abuso de substância e o transtorno de personalidade, como de maiores tendências para os ilícitos de violência. Outra informação da literatura, é que nos países com altos indicadores de violência social, pode haver aumento de violência entre os portadores de transtornos mentais. O transtorno de personalidade tipo anti-social possui um amplo espectro de atuação criminológica e pode está presente com dados significativos em todos os tipos de crimes, fato observado com dados significativos em todos os ilícitos pesquisados. A esquizofrenia tipo paranóide tem incidência a ser considerada nos crimes de homicídios, talvez em função da atividade delirante-alucinatório do esquizofrênico, ou pela falta de adesão ao tratamento indicado ou pela falta deste. O usuário de múltiplas drogas tem valores considerados importantes nos crimes de homicídios, agressão, roubo, estupro e tráfico de entorpecentes, comparando-se com o transtorno de personalidade anti-social no campo de atuação delituosa. Neste tipo de transtorno, o consumo de múltiplas drogas, pode coexistir em comorbidade com o transtorno de personalidade anti-social, aumentando o risco de probabilidade à violência, viés que pode ter acontecido com os achados da pesquisa. O retardo mental leve de inclusão social fácil, mas extremamente influenciável, com pouca capacidade de discernimento e com disposição de demonstrar eficiência, tem taxas significativas nos crimes de furto, roubo e atentado violento ao pudor, igualando-se em probabilidade menor com a esquizofrenia nos crimes de estupro. Outros diagnósticos psiquiátricos (epilepsia, transtorno de personalidade tipo borline) tiveram taxas significativas nos crimes de homicídio e agressão; o transtorno bipolar foi encontrado prevalência igual a esquizofrenia no crime de furto













REFERÊNCIAS


COHEN, FERRAZ E SERPE. Saúde Mental e Justiça. Ed: USP, 2006.

CHALUB, MIGUEL FILHO. Revista Psicologia Jurídica. Ed: Escala. Ano I ,nº 5, 2007,

DAVISON E NEALE. Psicologia do Comportamento Especial. 8ª Ed. Ed: LTC. RJ, 2003.

CORROCINE, SIDNEI CELSO. Aspectos controversos da periculosidade. Revista Psicologia Jurídica. Ed. Escala. Ano I, nº 5 , 2007

FARIAS, FRANCISCO RAMOS Revista Psique. Ed. Escala, ano II, nº 13, 2007, SP.

FLÁVIO JOSEF E JORGE ADELINO. Homicídio: aspectos epidemiológicos, fenomenológicos e vitimológicos. Jornal Brasileiro de Psiquiatria. Vol. 52, jul/ago. 2003,

MORANA, STONES E ABDALA-FILHO. Transtornos de personalidades, psicopatia e serial killer. Revista Brasileira de Psiquiatria – Suplemento Psiquiatria Forense: Vol.28, out. 2006.

MOSCATELLO, ROBERTO. Recidiva criminal em 100 internos do manicômio Judiciário Franco da Rocha. Revista Brasileira de Psiquiatria. . Vol 23, nº1, mar 2001

RAINE, ADRIAN. O crime biológico: implicações para a sociedade e para o sistema de justiça criminal. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul. Vol. 30. Nº 1., 2008

STRÜBER, MONIKA E ROTH. Revista Viver: Mente e Cérebro. Ed. Duetto. Ano XIV, nº 166, nov-2006.

TEIXEIRA, DALGALARRONDO. Bases Psicopatológica do Crime Violento. Jornal Brasileiro de Psiquiatria. Vol 57, nº 3 – 2008


(www.wilkipedia.org/OMS/violencia

domingo, 7 de março de 2010

TRABALHO DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

FACINTER
ENSINO A DISTÂNCIA – POLO SÃO LUIS DO MARANHÃO
CURSO: GESTÃO PÚBLICA
ATIVIDADE SUPERVISIONADA EM GESTÃO PÚBLICA
ALUNOS: HAMILTON RAPOSO DE MIRANDA FILHO E SAMIR MATHIAS DE MIRANDA.


1-Problemas sociais identificados pela equipe na cidade de São Luis do Maranhão:
1.1- Crescimento do número de menores em semáforos
1.2- Aumento do consumo de drogas lícitas e ilícitas na cidade de São Luis por jovens
1.3- Crescimento da criminalidade e violência na cidade de São Luis
1.4- Educação pública de pouca qualidade
1.5- Ocupação irregular do solo urbano

2- Aplicação da Ferramenta Matriz de urgência e importância:
2.1- Crescimento do número de menores em semáforos: 3x2(6) + 3 = 9
2.2- Aumento do consumo de drogas: 5x2(10) + 5 = 15
2.3- Crescimento da criminalidade: 5x2(10) + 4 = 14
2.4- Educação pública de baixa qualidade: 4x2(8) + 4 = 12
2.5- Ocupação irregular do solo urbano: 3x2(6) + 4 = 10.

3- Matriz de Decisão: Aumento do consumo de drogas lícitas e ilícitas entre jovens.

4- Principais causas encontradas pela equipe para o aumento do consumo de drogas lícitas e ilícitas entre os jovens:
4.1- Educação pública de baixa qualidade e falta de qualificação às pessoas envolvidas com jovens
4.2- Falta de centro de atendimento especializado para tratamento dos usuários de drogas.
4.3- Falta de repreensão ao tráfico de drogas ilícitas e ao controle de venda e distribuição de drogas lícitas.
4.4- Problemática sócio-familiar (desemprego, alcoolismo dos pais, perda de vínculos afetivos, evasão escolar, etc.).

5- Identificação de 3 causas principais encontradas pela equipe dentre as causas sugeridas:
5.1- Falta de centro de atendimento especializado
5.2- Educação pública de baixa qualidade tanto aos jovens como às pessoas envolvidas com os jovens
5.3- Falta de repreensão ao tráfico e controle de vendas às drogas lícitas.



6- Projeto de atividades visando minimizar as causas principais para a Matriz de Decisão:
6.1- Qualificação dos educadores da rede pública de São Luis sobre prevenção e intervenção primária
6.2- Desenvolver ciclo de palestras esclarecedoras nas escolas da rede pública de São Luis para pais e responsáveis
6.3- Disponibilizar dentro da rede pública de saúde (atenção primária) de programas que reabilite o jovem usuário de drogas (intervenção secundária)
6.4- Criar “Centro de Recuperação” de dependentes químicos para menores nos principais núcleos habitacionais da cidade: cidade operária, maiobão, anjo da guarda e centro (intervenção terciária).
6.5- Repreender de forma enérgica o tráfico de drogas, punir exemplarmente aqueles que comercializam bebidas alcoólicas e cigarros para jovens e proibir a permanência de menores depois das 22 horas em lugares públicos.

7- Análise de interesses:
7.1- Agentes contrários:
- Propaganda liberada de bebidas alcoólicas em hora livre na televisão
- Liberalidade no comportamento social do jovem
- Pouca informação técnica ou informação desconectada com a realidade
- Pouco investimento público para a área
- Pouco interesse dos governantes para implantação de programas que vise a prevenção e tratamento dos usuários de drogas
- Pouca qualificação técnica do pessoal envolvido na prevenção e tratamento aos usuários e dependentes de drogas.

7.2- Agentes facilitadores ou favoráveis:
- Grande interesse social pelo tema.
- Envolvimento de diversas camadas da sociedade com o tema
- Grande relacionamento do consumo de drogas com outros problemas sociais

8- Programa de governo sobre o tema: Aumento do consumo de drogas lícitas e ilícitas entre jovens.
8.1- Disponibilizar recursos através da Lei Orçamentária Anual (LOA) para construção de centro de atenção ao usuário de drogas nos principais núcleos residenciais da ilha de São Luis (Centro de Atenção AD – CAPS AD), cada núcleo dispondo de 60 vagas, funcionando em regime de semi-internação. Adaptação de uma enfermaria de curta e média permanência no Hospital Geral para receber usuários que necessite de internação e de cuidados mais intensivos. Treinamento de equipes multiprofissionais (médicos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, psicólogos, assistentes sociais, auxiliares de enfermagens, atendentes de serviços gerais, seguranças e pessoal administrativos) para atuarem nos centros de atendimento. Reaparelhamento da Polícia Militar, criando uma companhia especializada para reprimir o tráfico e prevenir o consumo de drogas entre os jovens.







8.2- Disponibilizar no currículo educacional das escolas públicas, material educativo visando proteger os jovens sobre os malefícios do consumo de drogas, através de aulas expositivas, oficinas, atividades culturais como peças de teatro, trabalho de pesquisa, filmes, debates, envolvimento do estudante com os problemas do bairro, da cidade, do estado e do país, transformando-o em agente de informação na sua casa e no seu bairro.
8.3- Disponibilizar recursos através da LOA para treinamento e capacitação de professores e funcionários das escolas rede pública de São Luis, visando a prevenção primária ao uso de drogas.



OBJETIVOS:
Ø Motivar o servidor e aperfeiçoar sua preparação para o exercício de sua cidadania e desempenho de seu papel, enquanto agente transformador da gestão pública;
Ø Reafirmar a vocação da SGA como gestor sistêmico de Recursos Humanos, no âmbito da Administração Direta, Autárquica e Fundacional;
Ø Promover a valorização do servidor público, buscando a excelência humana.


DESENVOLVIMENTO E METODOLOGIA:

Realização de cursos de capacitação e atualização voltados para a gestão pública, gestão de pessoas e gestão em saúde descentralizada;


DATAS e DETALHAMENTO DA CARGA HORARIA DOS CURSOS:

8 a 12 de março de 2010 – Curso de capacitação em gestão publica.
Carga horária – 40 horas.
5 a 9 de abril de 2010 – Curso de capacitação em gestão de pessoas.
Carga horária – 40 horas.
3 a 7 de maio de 2010 – Curso de capacitação em saúde descentralizada.
Carga horária – 40 horas.

2 a 6 de agosto de 2010 – Curso de atualização em gestão publica.
Carga horária – 40 horas.
13 a 17 de setembro de 2010 – Curso de atualização em gestão de pessoas.
Carga horária – 40 horas.
4 a 8 de outubro de 2010 – Curso de atualização em saúde descentralizada.
Carga horária – 40 horas.






RESPONSABILIDADE PEDAGOGICA DO CURSO:

Curso de capacitação e atualização em gestão publica e de pessoas será ministrado pela Escola de Governo do Estado do Maranhão – EGEMA.
Curso de capacitação e atualização em gestão em saúde descentralizada será ministrado pela Escola Técnica do SUS/MA – ETSUS/MA.

LOCAL:

Os cursos serão realizados no auditório Babaçu, Hotel Holliday Inn, localizado na Av. Marechal Castelo Branco, bairro do São Francisco.


RECURSOS:

Recurso material: Apostila pedagógica, pasta de plástico PVC, lápis, canetas nas cores azul e vermelho, textos pedagógicos apresentados pelo palestrante, data show e notebook para a apresentação dos Slides.

Recursos financeiros: Advindos de programação orçamentária do Plano Plurianual do Governo para capacitação e avaliação dos servidores


AVALIAÇÃO:

A avaliação será realizada na forma de questionário elaborado pela equipe de técnicos dos respectivos órgãos promotores do evento, contendo 5 perguntas subjetivas e 5 objetivas, sobre o conteúdo ministrado e perspectiva futura de aplicação do conteúdo em seu local de trabalho.