sábado, 2 de novembro de 2024

 

BOTA PRA MOER, A GENIALIDADE DA LOUCURA.

 

Falar em Bora Pra Moer nos dia de hoje, com certeza vai nos remeter ao bloco carnavalesco idealizado pelo grupo Creolina de Alê Muniz e Luciana Simões. Falar sobre Bota Pra Moer é conversar sobre uma das figuras mais emblemáticas da história de São Luís.

Bota Pra Moer era uma mistura de “gênio e de louco”, gênio para uns, louco para outros. O fato é que este personagem existiu em São Luís entre as décadas de 1940 a 1960.

O poeta, escritor e musicista Lopes Bogéa, escreveu em um dos seus livros as peripécias fantásticas deste homem, que tinha o nome de Antônio Lima, era pernambucano e teria chegado em São Luís na década de 1940. Não há registro histórico que teria chegado aqui pelas mãos de Vitorino Freire, um dos maiores políticos brasileiros do século passado e nem pelas mãos de Francisco de Paula Gomes, o maior paisagista de São Luís.

Bota Pra Moer era um andarilho e teria chegado em São Luís pelas próprias pernas, e este hábito de andar, às vezes sem nenhum sentido, era visto todos os dias, quando fazia o percurso da Praça João Lisboa pela Rua Grande até a confluência desta rua com a Rua do Passeio, em um ir e vir, que se repetia várias vezes ao dia.

Existe várias histórias e estórias sobre a vida de Bota Pra Moer, uma delas é que ele teria perdido parte da sua sanidade mental ao tentar decorar a tábua logaritmos, alguns que o conheciam, afirmam que ele decorou a tábua de logaritmos até o número 9, outros afirmam que ele decorou o dicionário da língua portuguesa e depois teria esquecido tudo que havia decorado. Outros fatos interessantes, era sua extrema capacidade de realizar qualquer tipo de cálculo matemático utilizando-se apenas da sua fantástica capacidade neuronal e da sua prodigiosa memória; alguns afirmavam que Bota Pra Moer conseguia ler o Jornal do Povo e o Jornal Pequeno de cabeça para baixo com uma rapidez que deixava a população de São Luís impressionada com a dualidade de “gênio e louco”.

Porém, o fato mais importante e marcante na vida de Bota Pra Moer, aconteceu em 1950, durante o episódio da greve geral, elevando São Luís ao título de Ilha Rebelde em 1951. Segundo o escritor e historiador Benedito Buzar, tudo aconteceu quando o povo de São Luís contestou o resultado das eleições e resistiu a posse de Eugênio de Barros, alegando fraude eleitoral no pleito de 1950, pleito este disputado entre Saturnino Bello e Eugênio de Barros.

A população não aceitava o resultados das eleições e transformou São Luís em uma verdadeira praça de guerra durante seis meses.

Segundo o jornalista Ribamar Correia, o QG dos revolucionários, também chamados de oposições coligadas, ficava situado na Praça João Lisboa, exatamente o local preferido do nosso personagem. E em um levante revolucionário, as oposições coligadas resolveram tomar de assalto o Palácio dos Leões, sede do executivo maranhense, e retirar vivo ou morto o então governador Eugênio de Barros, que tinha dado ordens à Polícia Militar de abrir fogo a quem chegasse até a Praça Benedito Leite, o chamado “Paralelo 38”.

Os oposicionistas liderados por Neiva Moreira, Lino Machado, Djalma Marques, Clodomir Milel e muitos outros, resolveram a base da força e da coragem ultrapassar o “Paralelo38”, tendo à frente dos revolucionários o gênio louco Bota Pra Moer, que garbosamente empulhava a bandeira brasileira e ao adentrarem na Praça Benedito Leite, vindos pela Rua de Nazaré, a Polícia Militar não perdoou e obediente ao governador, meteu bala na população revoltada e ao ouvir o primeiro tiro, Bota Pra Moer em toda a sua genialidade, se voltou para os líderes oposicionistas e disse autoritariamente, “arruma uma mais doido do que eu, que daqui eu não passo”.

Bota Pra Moer segundo Lopes Bogéa, teria morrido afogado em uma lagoa poluída por dejetos no bairro do Retiro Natal.

O gênio e o louco, este foi Bota Pra Moer, mais um personagem da história de São Luís.

HAMILTON RAPOSO DE MIRANDA FILHO

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