sábado, 2 de novembro de 2024

 

BREVE HISTÓRICO SOBRE “O MONSTRO DO COHATRAC”.

No final da década de 1980, a cidade de São Luís foi tomada por uma onda de desaparecimento de mulheres. Estes desaparecimentos aconteceram entre os anos de 1987 a 1989 todos na área do bairro Cohatrac e para a surpresa de todos, um pacato e excelente capoteiro e estofador, com as iniciais de L.M.F.S era o principal suspeito.

Extremamente simpático, bem apresentado fisicamente, L.M.F.S teria sido namorado de uma das vítimas, melhor, de uma das desaparecidas. Investigado neste caso, o “falante” e sempre disposto a conversar sobre as suas conquistas amorosas, não demorou muito para assumir como o autor do desaparecimento e assassinato desta vítima, como de outras 04 (quatro) vítimas, no total. L.M.F.S havia assassinado 05 (mulheres), todas suas ex-namoradas e enterradas no interior de sua residência, que servia de oficina para o seu ofício e para a surpresa da comunidade do bairro do Cohatrac, que jamais suspeitaria que aquele homem, simpático, educado e sempre chegado a uma boa conversar seria capaz de cometer tantos e tenebrosos crimes, ficando de imediato conhecido através da imprensa maranhense, como o “monstro do Cohatrac.”

Conheci L.M.F.S na Penitenciária de Pedrinhas, hoje conhecido como Complexo Penitenciário de Pedrinhas, quando este já havia sido condenado e pude conviver e conversar com ele quase que diariamente, durante 09 (nove) anos, a quem nunca chamei por apelido ou alcunha, como sempre fiz com todos os internos e internas, chamava-o pelo nome e acrescentava sempre antes do nome o pronome senhor ou senhora e nunca, em nenhum momento, fui ameaçado ou discutir com qualquer detento. No meu ponto de vista todos eram seres humanos e que estavam naquele local por infligir a lei brasileira.

Quem era L.M.F.S?

L.M.F.S, conhecido como o monstro do Cohatrac, era mineiro de Governador Valadares, solteiro, tinha uma profissão definida de capoteiro e de estofador, profissão que exercia no ambiente prisional reformando moveis e estufados para diversos órgãos públicos do estado. Elegante e sempre pronto para uma conversa, pude ao longo de 09 anos conhece-lo um pouco.

Quais os crimes que L.M.F.S cometeu e de que forma havia cometido?

L.M.F.S era muito simpático e um conquistador nato, e não era fácil conquistar as suas vítimas, que depois de um certo período de namoro, começavam a frequentar a sua residência e geralmente durante um ato sexual, estrangulava as suas vítimas, que depois de mortas, enterrava-as dentro de sua própria residência. Certa vez, conversando comigo sobre o prazer de cometer estes crimes, L.M.F.S me revelou que o maior prazer sexual que sentia era quando escutava o som de um pescoço quebrando. Outra vez, durante a minha investigação psiquiátrica forense, o encaminhei para realização de exame tomográfico do crânio e de eletroencefalograma em uma clínica da cidade, e durante o preenchimento da ficha pela atendente, ele teria respondido à jovem que sua profissão era de matador de mulheres.

Quem eram as suas vítimas?

Todas as suas vítimas eram mulheres brancas, com nível de instrução médio ou superior incompleto, de classe social média e na faixa etária de 20 a 30 anos. Todas muito jovens.

Qual o perfil psicopatológico de L.M.F.S?

Em todas as inúmeras conversas que tive com o sentenciado, ele sempre se apresentava em boas condições de higiene, estava sempre desacompanhado de qualquer agente prisional, demonstrava confiar em mim e necessidade de conversar e de contar suas inúmeras aventuras amorosas e profissionais, principalmente o produto final do seu trabalho como estofador ou artesão. Demonstrava-se conversador, cooperativo, nunca deixou um questionamento sem resposta e era extremamente envolvente em suas colocações, procurando sempre responder ou emitir opiniões dentro de uma lógica muito pessoal.

Era autossuficiente e incapaz de reconhecer qualquer desvantagem, sempre tinha uma resposta para impor ou contestar alguma opinião que não fosse do seu agrado, entretanto, nunca demonstrou qualquer atitude agressiva com o entrevistador. Às vezes, verborrágico, mostrava suas razões para o cometimento dos delitos e propósitos futuros, quando saísse do sistema prisional. 

Apresentava grande disposição para o trabalho, ofício que realizava com extrema dedicação, tanto as funções estofador, como a de artesão. Passava grande parte do dia na oficina de carpintaria da penitenciária e por este fato, seu comportamento era considerado como excelente.

Desfrutava de grande confiança por diretores e agentes de segurança, porém não era um líder entre os presos, gostava mais da convivência com funcionários do que com os outros internos.

Não caracterizamos nenhum sintomas de natureza psicótica ou de prejuízo intelectual ou cognitivo.

Conclusões finais:

O sentenciado L.M.F.S era portador de grave defeito na formação de sua personalidade (transtorno de personalidade antissocial – tipo psicopático), sendo considerado assassino em série, definido pela prática de 02 (dois) ou mais crimes cometidos pela mesma pessoa, durante determinado tempo. Um outro fator determinante para o diagnóstico do nosso personagem, foi o perfil das vítimas e o modo de atuação delituosa do sentenciado. L.M.F.S demonstrava um comportamento exibicionista, sem sentimento de culpa, egocêntrico e com um limite muito tênue entre controle da sua vontade e a liberação de impulsos mórbidos.

Vida prisional:

Entretanto, mesmo sendo considerado um assassino em série, deve-se frisar, que durante o exercício das suas funções profissionais no ambiente prisional, foi observado uma melhora acentuada nos seus relacionamentos interpessoais, ficando inclusive mais receptivo, calmo e cumpridor das suas obrigações no presídio. Comprova-se desta forma, a influência do trabalho, principalmente quando remunerado, no controle de distúrbios de comportamento em ambiente fechado.

O final de L.M.F.S, o monstro do Cohatrac:

L.M.F.S foi assassinado em 2003 durante uma rebelião na Penitenciária de Pedrinhas

Obs: Todas estas observações estão contidas no prontuário do detento

HAMILTON RAPOSO DE MIRANDA FILHO

 

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